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“Não se muda de nacionalidade, nunca se deixa de ser português”

“Não se muda de nacionalidade, nunca se deixa de ser português”

Famalicenses pelo mundo 

 

As histórias de Raquel Lopes e Joana Castro cruzam-se em vários pontos, mas as protagonistas nem se conhecem. Partilham a naturalidade, Joane, e a aventura de serem emigrantes. Raquel voou para Worms, na Alemanha, Joana vive em Londres. A primeira tenciona regressar, a segunda não. São duas visões diferentes de quem vive a emigração na primeira pessoa.

Raquel e Joana emigraram no mesmo ano: 2016. Raquel foi a primeira. Em janeiro, deixou a vila de Joane para se aventurar, pensava ela, apenas “durante seis meses” num estágio profissional. O que a jovem não sabia era que a estadia em Worms, uma pequena cidade no sudoeste da Alemanha, se prolongaria até aos dias de hoje. A empresa para a qual foi estagiar gostou tanto do seu trabalho que a convidou a ficar. Aceite o desafio, aos 25 anos, Raquel Lopes emigrava pela primeira vez.
Do outro lado desta história, temos Joana que emigrou em pleno verão e com destino a Londres, o local onde sempre sonhou viver. A jovem já tinha emigrado com a família, quando tinha 14 anos, para Espanha, onde permaneceu durante cinco anos. E no país vizinho Joana mantém ainda hoje algumas amizades e boas memórias. Depois da família ter regressado a Portugal, a mãe de Joana faleceu e ela achou que, aos 23 anos, “devia mudar de vida, progredir e arriscar”. Estava na hora. Ao contrário do que diz a maioria dos emigrantes, Joana escolheu Inglaterra, onde vive há dois anos e sete meses, por ser “um país mais frio”. O início desta aventura deu-lhe desde logo novas experiências: viajou pela primeira vez de avião e viu neve.
Raquel partiu com a ideia de “viver mais uma aventura e uma importante experiência para iniciar a vida profissional”, Joana foi embora sem perspetiva nenhuma.
A primeira voltou um mês depois a casa, Joana só regressou cinco meses mais tarde.
“Não há lugar no mundo com tamanha beleza como Portugal: a luz, a natureza, o sol, as praias, a inspiração, os sabores, a cultura, os sonhos, as tradições, o mar e a liberdade”, afirmou Raquel. A jovem tenta vir ao seu país “três a quatro vezes”, as mesmas que Joana, sendo que há uma data que não prescindem, a menos que não seja possível: o Natal.
A família, os amigos e o “eu antigo” que por cá deixaram suscita em ambas o sentimento que dizem ser tão português: a saudade. E as viagens, por curtas que sejam, ajudam a acalmar o coração de quem vive longe.
Na Alemanha, Raquel sente diferença sobretudo ao nível da “vida social, da cor do país e da sinceridade e coração aberto dos portugueses“. Em Londres, Joana sente falta, sobretudo, da “gastronomia, do café e da simpatia portugueses”.
“Os telefonemas, as conversas através das redes sociais, comer bacalhau e ouvir um fado são a melhor forma” de Raquel se sentir em casa, já a joanense emigrada em Londres apoia-se nas “comunidades portuguesas, nos restaurantes e supermercados” com carimbo nacional para se sentir mais próxima do país.
A prova de quem nem todos sentem a emigração da mesma maneira é que Raquel preferia viver em Portugal com a vida que tem na Alemanha e Joana preferia viver em Londres com o melhor de Portugal.

 

Leia a reportagem na íntegra na edição n.º 134 do Jornal do Ave, já nas bancas.

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