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Famalicão valoriza herança camiliana

“A Casa de Camilo é um daqueles espaços com alma, com carácter, habitado pela presença permanente da alma criadora que aqui viveu”. As palavras são da Diretora Regional de Cultura do Norte, Laura Castro, que esta quarta-feira, 16 de março, esteve em Vila Nova de Famalicão para participar nas comemorações do 197.º aniversário de Camilo Castelo Branco que ficaram marcadas pela conclusão das obras de renovação e restauro do conjunto camiliano de S. Miguel de Seide.

A responsável regional felicitou a autarquia famalicense “por continuar a investir na recuperação da integridade” da casa onde o romancista viveu e escreveu boa parte das suas obras, entre 1863 e 1890, e defendeu uma maior relação entre os setores da Cultura e o Turismo, nomeadamente, através da promoção do Turismo Literário.

Refira-se que a reconstrução da Quinta e da Casa dos Caseiros implicou um investimento de cerca de 330 mil euros, devolvendo à Casa de Camilo a traça de outros tempos.

A inauguração de ontem contou também com as presenças do presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, e do diretor da Casa de Camilo, José Manuel Oliveira.

Mário Passos considera que, com esta intervenção, o Município de Famalicão reforçou a aposta na salvaguarda e valorização da herança camiliana e na dimensão turístico-cultural do concelho.  Dimensão essa que, segundo o edil, “ganhará uma amplitude maior com a entrada em funcionamento da Rota Camiliana que estamos a ultimar e que vai unir todo o universo camiliano a partir desta casa”.

O autarca aproveitou ainda a presença da Diretora Regional de Cultura do Norte para reclamar por mais oportunidades de financiamento para o desenvolvimento programático dos museus. “Era bom que o Ministério da Cultura recuperasse essa prática que potenciava a vitalidade que todos desejamos para as unidades museológicas. Os museus não podem ser sarcófagos de objetos e imagens”, disse.

O diretor da Casa de Camilo lembrou as várias fases do edifício, desde que foi residência de Camilo até aos dias de hoje. “Agora temos a reabilitação do centro histórico de Seide muito próximo do que era no tempo de Camilo. Os portugueses podem estar contentes porque é devolvida à cultura portuguesa o seu altar talvez mais simbólico”, referiu José Manuel Oliveira.

Recorde-se que a empreitada está inserida na candidatura «Rota Camilo: Valorização da Casa-Museu e Cemitério da Lapa», aprovada no âmbito do programa operacional Norte 2020, sendo cofinanciada através Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

A Casa dos Caseiros terá duas valências essenciais: uma dedicada aos serviços educativos e outra composta por uma cozinha que possibilitará serviço de refeições com ementa camiliana. Haverá, ainda, um novo espaço constituído por um sequeiro e logradouro para o desenvolvimento de atividades pedagógicas.

Refira-se que Camilo Castelo Branco residiu na casa de Seide cerca de 26 anos. Aqui chegou por amor, aqui escreveu, viveu com a família e aqui pôs termo à vida. Considerada a mais emblemática memória viva do maior escritor do romantismo português, a Casa de São Miguel de Seide ganhou um significado histórico de fundamental importância para o conhecimento profundo de todas as temáticas camilianas.

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