Médico compõe música sobre nova realidade com a Covid-19

“Vem sonhar castelos de areia // Vem ver as gaivotas no ar // Rodar a ciranda no sol da varanda // E fingir que há uma brisa de mar”. Estes são os primeiros versos de “Faz de Conta”, a música escrita e composta por João Marques da Silva, médico na Unidade de Saúde Familiar de S. Tomé de Negrelos, concelho de Santo Tirso, durante a pandemia de Covid-19.

Músico nas horas vagas, João Marques da Silva inspirou-se no filho Francisco, de quatro anos, para escrever este tema. “Ele está em casa desde que começou a pandemia, enquanto o pai sai todos os dias para ir trabalhar. Também para ele é difícil ficar fechado, sem poder brincar no parque ou ir à escola, no entanto, o que é fascinante nesta idade é que eles têm uma imaginação muito ativa e conseguem criar os seus próprios mundos”, começou, por explicar o autor, em entrevista ao Jornal do Ave.

Mesmo fechado entre quatro paredes, o pequeno Francisco não deixa de brincar, viajar, saltar e voar… à boleia do faz de conta, capacidade perdida pela “maior parte dos adultos”, diz João Marques da Silva.

E é essa vocação que o médico cantor quer exaltar na música, que se tornou numa homenagem “ao filho e à capacidade de sonhar das crianças” e um argumento para incentivar os adultos a atravessarem estes momentos difíceis com mais otimismo.

“É também um tributo a todos aqueles que, por força das circunstâncias, estão longe dos que mais amam, como os avós que não podem estar com os seus netos, ou muitos profissionais da linha da frente, que tiveram de sair de casa para não colocar os seus familiares em risco. Acima de tudo, quero deixar uma mensagem de esperança de que, um dia, tudo isto terá um fim e que poderemos voltar a estar todos juntos, como dantes”, acrescentou.

João Marques da Silva é médico na Unidade de Saúde Familiar de S. Tomé de Negrelos, concelho de Santo Tirso, e é um dos milhares de profissionais na linha da frente no combate à Covid-19. Sobre essa condição, admite que “está sempre” no pensamento a realidade do risco constante de poder contrair o vírus durante os cuidados médicos aos utentes e o “medo” de levar a doença para casa. “Foi por isso que muitos colegas meus tomaram a difícil decisão de sair de casa. Tudo isso está reflectido nesta letra (da música)”, explicou.

No entanto, mantém-se no ativo, pois a “responsabilidade” que tem é o que mais pesa na balança. É, portanto, como todos os outros colegas na frente da batalha, um herói. De bata no corpo… e de guitarra na mão.

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