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Livro de investigação sobre estereótipos de África apresentado em Santo Tirso

“A colonização não é responsável por todas as dificuldades atuais de África. Não é responsável pelas guerras sangrentas que travam os Africanos entre eles. Não é responsável pelos genocídios. Não é responsável pelos ditadores. Não é responsável pelo fanatismo. Não é responsável pela corrupção, pela prevaricação. Não é responsável pelos desperdícios e pela poluição”. Este excerto faz parte de um discurso que ficou marcado na História contemporânea do continente africano – e não só – feito por Nicolas Sarkozy, a 26 de julho de 2007, numa universidade de Dacar, no Senegal.

Apesar de 13 anos passados, esta intervenção continua a ser dissecada, pelo impacto que provocou. Na ótica do então presidente de França, que se dirigia à geração jovem africana, “a colonização foi um grande erro que destruiu junto do colonizado a estima por si próprio e fez nascer no seu coração este ódio por si que desemboca sempre no ódio para com os outros”.

Dos considerandos feitos neste discurso – e ao qual se acrescentam frases como “o desafio de África é entrar mais na História” e “o problema de África é que ela vive demais o presente na nostalgia do paraíso perdido da infância” – houve quem considerasse que se está perante um amplo conjunto de imagens estereotipadas e representações generalizadas de África e dos africanos.

Ora, é a partir daqui que Eugénio Bezerra parte para o mais recente livro que escreveu e que, esta sexta-feira, 2 de outubro, às 21h30, é apresentado na Biblioteca Municipal de Santo Tirso. O livro será apresentado por Manuel Curado e contará com moderação de António Sousa, que também marcará a sessão com declamação de poesia. O momento musical está a cargo de Sophia Bessa.

“Aqueles que não entraram na história” é um livro que “resultou da junção” da dissertação de mestrado em Estudos Africanos de Eugénio Bezerra e do trabalho que desenvolveu enquanto investigador integrado no Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto.

Nesta investigação, que navega entre “as representações sociais e com os estereótipos” associados a África, Eugénio Bezerra pretende que o leitor reflita sobre que verdade se pode retirar do discurso de Nicolas Sarkozy. “Será que toda a polémica à volta deste discurso se justifica e encontra substância para tal? A resposta a esta interrogação deixarei ao juízo de valor que cada um, obrigatoriamente, fará”, desafia o investigador.

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