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Vacina para a covid-19 em Portugal vai ser “facultativa e gratuita”

As vacinas para a covid-19 em Portugal serão gratuitas, facultativas e aplicadas pelo Serviço Nacional de Saúde. O plano de vacinação de combate à covid-19 será apresentado na quinta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa.

A equipa que coordena o plano de vacinação apresentou hoje ao governo a primeira versão do documento, que será apresentado publicamente amanhã. A ministra destaca “três incertezas” sobre o processo, avisando “que não são ainda conhecidos os resultados clínicos da fase três, pelo que a eficácia das vacinas ainda não está verificada pela Agência Europeia do Medicamento”. Depois, falta também saber a duração da imunidade, bem como a segurança da vacinação de crianças e grávidas.

Para Marta Temido, os pressupostos são: a disponibilização das vacinas pelas farmacêuticas; a validação da sua viabilidade e segurança pela Agência Europeia do Medicamento; e a entrega das vacinas a cada um dos países europeus ao mesmo tempo.

Há uma “margem de incerteza” no processo, mas o caminho está a ser feito, diz a governante. A task force está a ver as vacinas disponíveis, definir os grupos de vacinação e os locais onde a vacina para a covid-19 deve ser administrada. “Temos de ter desde já a perceção de que o processo de vacinação será longo. Não se vai concretizar num único dia, nem num período curto”, alerta a Marta Temido, reforçando a necessidade de manter as medidas de proteção.

“As vacinas serão administradas no Serviço Nacional de Saúde (…) gratuitas e facultativas”, devendo ser dadas a todas as pessoas que tenham orientações para as tomar. Portugal vai comprar mais de 22 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, o que representa um custo de 200 milhões de euros, disse ainda a ministra da Saúde.

Marta Temido falava esta tarde no Palácio da Ajuda, em Lisboa, já depois de se saber que quer a ministra, quer os secretários de Estado da Saúde testaram negativo para o SARS-CoV-2, após o anúncio de que a diretora-geral da saúde, Graça Freitas, está doente com covid-19.

A equipa responsável pelo plano está a trabalhar com as farmacêuticas por trás da vacina, para avaliar também a logística interna da vacina, tendo ainda em conta a especificidade das regiões autónomas, acrescentou ainda a ministra da Saúde na conferência desta quarta-feira.

A discussão sobre a vacina contra a doença descoberta no final do ano passado na China cresce à medida que são anunciados avanços nas soluções em desenvolvimento. O Reino Unido anunciou esta quarta-feira a aprovação da vacina do consórcio Pfizer/BioNTech (Estados Unidos e Alemanha), começando a sua distribuição pelos grupos de risco na próxima semana. Todavia, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que mesmo as pessoas mais vulneráveis só devem estar todas vacinadas na primavera de 2021, apelando ao realismo.

Em declarações ao Observador, o presidente da República apelou no mesmo sentido, alertando que a aprovação de uma vacina não representa o fim imediato das medidas de proteção da pandemia. Marcelo Rebelo de Sousa não quer “ilusões” e avisa que “vacinar portugueses vai levar muitos meses”.

A Pfizer já disse que conseguirá disponibilizar a vacina em Portugal três dias após a aprovação pela Agência Europeia do Medicamento. A entidade comunitária deverá anunciar uma decisão sobre esta vacina a 29 de dezembro.

Marta Temido realçou que o processo de vacinação será longo e que os portugueses não se poderão “afastar das regras” a que se têm habituado em tempo de pandemia.

A reunião de hoje teve também a participação dos membros da task force criada para elaborar o plano de vacinação e que é liderada pelo antigo secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos.

Participaram ainda os ministros de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, da Saúde, da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, assim como o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Tiago Antunes.

Portugal contabiliza pelo menos 4.645 mortos associados à covid-19 em 303.846 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde.

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