Protocolo de cooperação valoriza setor agrícola (c/video)

Promover o desenvolvimento do setor agrícola baseado na promoção de um contexto municipal facilitador da iniciativa agrícola empresarial. Este é o objetivo estratégico do protocolo de cooperação assinado entre as cooperativas Fagriccop e a Frutivinhos, o Município de Vila Nova de Famalicão e a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Médio Ave, a 14 de junho.

Com este protocolo fica acordado que os vários parceiros devem “colaborar no domínio da promoção e acompanhamento das empresas do sector instaladas, bem como no fomento à instalação de novas empresas agrícolas no concelho famalicense”, aproveitando as linhas de financiamento disponíveis e o programa comunitário PDR 2020. Caberá à autarquia agir como um “facilitador” de forma que novos projetos agrícolas e projetos em curso sejam desenvolvidos em parceria, agilizando procedimentos. É também objetivo deste compromisso a criação de parcerias com escolas, universidades e centros de investigação para a valorização de atividades.
Manuel Loureiro, presidente da Fagricoop – Cooperativa Agrícola e dos Produtores de Leite de Vila Nova de Famalicão, explicou que este protocolo de cooperação é um “juntar de sinergias” para “dar possibilidade aos agricultores que querem mudar de atividade e que querem iniciar, facilitando-lhes um bocado a vida para conseguirem os objetivos”. E como os produtores de leite vão ser “obrigados a uma redução muito grande à produção”, podem aproveitar “esse excedente de área” para implementar um novo projeto e daí ter “um rendimento alternativo”. Como exemplo de “novas atividades” que “não estão exploradas nesta zona”, o presidente da Fagricoop destacou a plantação de “mirtilos, ervas aromáticas e kiwis”. “Estes projetos podem servir para ajudar a alavancar financeiramente a exploração e arranjar outras fontes de rendimento. Todos nós tivemos que reduzir três por cento ao leite, o que obriga a que a área fique disponível e que possa ser utilizada por um projeto e criar-se ali uma fonte de rendimento alternativo”, explicou, salientando o aparecimento de “bastantes jovens agricultores, nomeadamente fora da área agrícola”, que decidem apostar nesta área, criar um projeto e iniciar atividade.
Também o presidente Alberto Carvalho referiu que este protocolo “tem interesse para os cooperantes” da Frutivinhos – Cooperativa Agrícola de Vila Nova de Famalicão, uma vez que é “uma necessidade estratégica arranjar terra para fazer hortícolas, frutos vermelhos e vinha”. Alberto Carvalho denotou que está a entrar “uma nova geração” de agricultores de “caracóis, cogumelos, frutos vermelhos, mirtilos e as framboesas”, por exemplo, que “necessitam de terras”.
E nesse seguimento, a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão vai lançar uma Bolsa de Terras, “facilitando o acesso a terrenos agrícolas para investimento e produção por parte de promotores de todo o país”. O objetivo passa por “potenciar a utilização do território rural, facilitando o encontro entre a oferta e a procura de terrenos agrícolas”. A Bolsa de Terras permitirá que os proprietários que não utilizam os seus terrenos garantam mais rendimento e, ao mesmo tempo, que os promotores de projetos disponham de terras agrícolas para investir e produzir. A bolsa integra a que já existe a nível nacional, criada há três anos pelo Ministério da Agricultura e do Mar e disponível em www.bolsanacionaldeterras.pt. No total serão “mil as explorações agrícolas existentes em Famalicão, sendo que a grande parte do volume de negócio é gerado pelas explorações do setor do leite (cerca de 200), seguindo-se a carne e o vinho”.
A Bolsa de Terras de Famalicão faz parte da estratégia da Câmara para o sector agrícola, assente num contexto municipal facilitador da iniciativa agrícola empresarial. “Uma convergência de vontades muito importante em torno deste desígnio de estimular a agricultura através da utilização da terra para fins produtivos”, elucidou Paulo Cunha, garantindo que a autarquia “encetará todos os esforços para que este projeto seja bem-sucedido”, pois “gostaria de ver Famalicão também notado a nível nacional pelo trabalho que está a ser feito na agricultura, uma atividade que gostaria de voltar a ver pujante”.

Fusão da Fagricoop e Frutivinhos em cima da mesa

Apesar deste protocolo “não” estar relacionado com a fusão das cooperativas, o presidente da Fagricoop, Manuel Loureiro, afirmou que esta “não foi uma ideia que se tenha abandonado”, mas que precisa de se “solidificar” e de ter “um projeto viável e credível para poder avançar”. E apesar de “a maior parte” dos cooperantes serem os mesmos, Manuel Loureiro explicou que é necessário “fazer duas assembleias e ser aprovado”.
Já Alberto Carvalho, da Frutivinhos, recordou a existência de “um protocolo”, em que a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão “cede um terreno” para a criação da “Casa da Agricultura do concelho de Famalicão”.

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