Prédio devolvido à cidade 33 anos depois

Prédio devolvido à cidade 33 anos depois

Quando em “agosto de 2010” comprou à “família Jaime Branco” parte do prédio abandonado, situado na Praça Camilo Castelo Branco, em Santo Tirso,  José Augusto Miranda Capela, investidor naquele concelho, prometeu a si mesmo que iria resolver “aquele problema” que já dura há 33 anos.

Uma promessa que conseguiu cumprir este ano quando comprou a “Imerca – Imobiliária Lda.”, a “22 de fevereiro”, propriétaria das restantes “108 frações”. “Passei a ser dono de todo o prédio e fechei negócio com o empreiteiro que o vai construir. Para simplificar o negócio, fiz uma permuta para ficar com frações, desde apartamentos, lojas e garagem. Se exigisse muito dinheiro vivo seria mais difícil para o empreiteiro, pois tinha que ter dinheiro para comprar e construir”, contou, mencionando que o empreiteiro “vai arrancar com o prédio, graças a esta solução que encontrou”. “Era um caso gravíssimo, talvez o mais grave de sempre na cidade de Santo Tirso em termos urbanísticos, que envergonhava toda a gente. Se eu não tivesse coragem de comprar o prédio numa primeira fase e o restante na segunda fase não sei se aquilo teria uma solução fácil. Estaria mais umas décadas parado”, desabafou.
O proprietário José Augusto Miranda Capela mencionou “o papel de realce” da Câmara Municipal de Santo Tirso, que “colaborou em tudo nas reuniões” e fez “via verde para tudo”. “A Câmara também colaborou em tudo, porque também era importante que ajudasse em termos de licenciamento, isenção de taxas e ajudas de toda a área de construção. Também era interesse de todos os tirsenses e da própria Câmara de ver o problema resolvido”, ressalvou.

Também Joaquim Couto, presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, explicou que para pôr fim a esta questão, a autarquia desenvolveu “uma série de reuniões, quer com o proprietário, quer com potenciais investidores, no sentido de desbloquear todo o processo”. “Com diálogo, bom senso e boa vontade de todas as partes, foi possível chegar a um acordo em que todos ficam a ganhar. A Câmara Municipal sentou à mesa das negociações as partes envolvidas, procurou consensos e propôs incentivos fiscais previstos para as ARU (Área de Requalificação Urbana). Santo Tirso fica a ganhar, com a resolução de um problema urbanístico que era uma mancha para a cidade”, sublinhou Joaquim Couto.
Neste processo, a Câmara Municipal de Santo Tirso conseguiu ainda salvaguardar que o volume de construção do edifício será muito menor do que o inicial. O projeto do final da década de 70 previa a construção de uma torre de 16 andares, mas a requalificação encontrada irá de encontro às preocupações urbanísticas do atual executivo. Mas esta solução não passa apenas pela requalificação do prédio abandonado, junto à central de camionagem, mas ainda pela requalificação da Praça Camilo Castelo Branco. “Uma coisa estava dependente da outra. Não queríamos que fosse apenas um remendo, mas uma solução de fundo que desse dignidade a esta entrada da cidade”, terminou.


A solução encontrada para este prédio abandonado à entrada da cidade foi apresentada a 13 de junho. O acordo com António Cunha, CEO da Archee Madeira – Construções LDA, já foi assinado e até agosto vai apresentar o projeto final, podendo as obras avançar até ao final do ano. Segundo António Cunha, vai ser feita “uma análise de engenharia rigorosa às estruturas existentes”. O projeto irá contemplar espaços comerciais, no rés do chão, e apartamentos, nos restantes pisos, sendo que o objetivo é que “em 2018 já seja possível entregar as habitações”. “É um orgulho ter resolvido o problema, porque todos nós vamos gostar de passar ali e ver o prédio terminado. Será um prédio lindíssimo e tudo leva a crer que vai ser o melhor prédio da cidade”, afirmou António Cunha.
E “uma das coisas muito importante que ajudou a resolver” a situação foi, segundo o proprietário, ter adquirido “a subcave do prédio, com 1300 metros”, que permutou com o empreiteiro para dar “lugares de garagens”. “Sem este espaço não se podia construir o prédio, porque a lei não permite a construção de apartamentos sem garagens”, explicou.

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