“O país tem que resistir à tentação do curto prazo”

“Há demasiada ligeireza em Portugal para com as questões relacionadas com o trabalho. Faltam estudos que ajudem os decisores governamentais a preparar o país para os desafios da modernidade e é urgente fazê-lo. No nosso país há uma tentação pelo curto prazo”. O alerta de Carvalho da Silva surgiu ao longo do debate que manteve na sexta-feira, 21 de maio, com Pedro Roque, atual secretário-geral dos Trabalhadores Social-democratas (TSD) na abertura do ciclo de conferências Dr. Carlos Bacelar organizado pela Comissão Política Concelhia do PSD de Vila Nova de Famalicão e moderado pelo deputado à Assembleia da República, Jorge Paulo Oliveira.
O ex-secretário secretário-geral da CGTP-IN – Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical, apresentou-se sem “complexos” a um debate organizado e participado por uma estrutura de direita e as suas posições sobre o trabalho foram muitas vezes coincidentes com as de Pedro Roque.
Foi o que aconteceu em relação ao entendimento do trabalho enquanto pedra basilar da sociedade que vai muito além de simples fator de produção, sendo fonte de articulação entre as dimensões económica, social, cultural e política e enquanto à importância da entrada em vigor, há 40 anos da Constituição da República Portuguesa como passo decisivo para a defesa dos direitos e das liberdades dos trabalhadores.
A grande divergência fez-se sentir quanto ao peso e papel da economia em relação com o tema. Enquanto para o secretário-Geral dos TSD a saúde do trabalho está diretamente dependente da saúde económica do país e, por isso, é preciso fomentar a economia e criar uma legislação
que impulsione e facilite o investimento, para Carvalho da Silva o Estado deve ter um papel determinante sobre as dinâmicas do trabalho e não pode andar atrás dos avanços e recuos económicos.
A conferência decorreu no café-concerto da Casa das Artes e foi participada por várias dezenas de pessoas. O ciclo de debates iniciado pelo PSD recebeu o nome de Carlos Bacelar em homenagem a esta figura da história famalicense que foi o primeiro Presidente da Comissão Politica Concelhia do PSD, e um dos dois deputados famalicenses à
Assembleia Constituinte.
A iniciativa surge na sequência da estratégia de tornar o PSD de Famalicão como um partido cada vez mais aberto à comunidade, puxando simultaneamente o concelho para o centro do debate de assuntos importantes para o país numa perspetiva de contributo construtivo local para a dimensão nacional.

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