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Manuel Frias Martins vence Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho

Manuel Frias Martins vence Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho

“Há mais mistérios entre Saramago e Deus do que possamos prever”. A frase é da investigadora brasileira Selma Ferraz, que José Tolentino Mendonça citou, em fevereiro último, na crítica que assinou no semanário Expresso ao livro “A Espiritualidade Clandestina de José Saramago”. A obra, vista pelo crítico como um “interessantíssimo ensaio”, acaba de valer ao autor, Manuel Frias Martins, o Grande Prémio de Ensaio “Eduardo Prado Coelho” 2014.

Nesta sua sexta edição, o galardão, promovido em parceria pela Associação Portuguesa de Escritores e a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, distinguiu por unanimidade a obra escrita pelo crítico, professor universitário e ensaísta português.

O livro, editado pela Fundação José Saramago, choca com o assumido ateísmo de Saramago, conforme se percebe com uma rápida leitura do prólogo: “(…) as obras de Saramago se dirigem inequivocamente aos interesses e às necessidades práticas dos leitores (…) apontando ao mesmo tempo para a espiritualidade como expressão intensa da verdade”.

Recorde-se que o Prémio de Ensaio “Eduardo Prado Coelho” foi instituído em 2010 e distingue, anualmente, uma obra de ensaio literário, publicada em livro, com o valor monetário de 7.500 euros.

“Trata-se de uma homenagem que pretende perpetuar o grande ensaísta Eduardo Prado Coelho, falecido em 2007, que doou ao nosso município o seu espólio bibliográfico de 12.500 títulos, disponível para consulta na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco”, explica a propósito o presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha.

Refira-se ainda que o Grande Prémio de Ensaio premiou em 2014, José Gil; em 2013, Rosa Maria Martelo; em 2012, João Barrento; em 2011, Manuel Gusmão e em 2010, Vítor Aguiar. A data da cerimónia de entrega do prémio será divulgada oportunamente.

SINOPSE DE “A ESPIRITUALIDADE CLANDESTINA DE JOSÉ SARAMAGO”

“Saramago pertence àquele grupo de escritores que parecem ter lido em toda a parte ou vivido em todo o lado, mapeando o humano por sinais identificáveis por todos ao mesmo tempo e decifrados por cada um à sua maneira. Tanto as suas construções ficcionais das atmosferas judaica e cristã como as observações subsidiárias que encontramos dispersas por entrevistas e artigos refletem uma amplitude de referências culturais onde se abriga um extraordinário ecletismo filosófico e religioso ou, dito de outra maneira, um conhecimento amplo do fundo cultural e religioso da humanidade, o qual é não raras vezes encarado como desafio à razão e à imaginação do próprio escritor. Possuidor de um espírito inquieto quando à humana condição e de um coração ávido de justiça, o homem José Saramago é uma espécie de abrigo intelectual de um escritor que mistura criativamente os inúmeros conseguimentos do pensamento humano independentemente da sua proveniência histórica ou geográfica”.

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