Grande parte da natureza humana é a mulher que constrói (2)

Grande parte da natureza humana é a mulher que constrói (2)

A saída para as bancas da edição 125 do Jornal do Ave coincide com o Dia da Mulher. Num mundo que ainda é marcado pela desigualdade entre homens e mulheres,  não podíamos deixar de assinalar a efeméride. O JA homenageia a Mulher com três histórias de sucesso, profissionalismo e abnegação no feminino.

“Que possa ser um exemplo para que outras assumam cargos/profissões atribuídos a homens”

No concelho de Santo Tirso, é a primeira mulher a desempenhar funções de comando nos bombeiros. Natural da Covilhã, Rute Neves vive em Santo Tirso “desde 2001”, onde trabalha como técnica de Emergência Pré-Hospitalar no INEM e desempenha funções de 2.ª comandante nos Bombeiros Voluntários de Santo Tirso.
Rute Neves sente-se “orgulhosa e feliz” por ser a primeira mulher, no concelho, a tomar posse como elemento de comando nos bombeiros, esperando ser “um exemplo para que outras mulheres assumam cargos ou profissões até aqui atribuídas a homens”. A bombeira declarou que “nunca” se sentiu “prejudicada por ser mulher” no exercício das suas funções, no entanto, recordou que, quando terminou a licenciatura em Engenharia de Produção e Gestão Industrial na UBI e foi a uma entrevista de emprego para a área de produção numa empresa, “não” lhe deram “a possibilidade de poder trabalhar lá, por ser mulher e poder vir a ter uma vida familiar”.
Rute teve de “lutar para ter o que tem hoje”: tirou um curso e trabalhou “algum tempo” na área da licenciatura, até que ficou desempregada. Mas “não” baixou os braços e procurou “noutras áreas”, como a “comercial”, até que descobriu “a saúde pré-hospitalar e os bombeiros”.
A técnica asseverou que “já” sentiu a “pressão” para conseguir dar a mesma atenção à vida profissional e familiar, mas diz que é necessário “existir um equilíbrio” entre ambas, o que, “por vezes, não é fácil de manter”, acabando por ser “o lado familiar a sair prejudicado”. “É importante existir um bom apoio familiar para se conseguir ultrapassar as adversidades”, frisou.
Rute descreve-se como uma “mulher sincera, amiga, lutadora, apaixonada” pelo que faz, “gosta de poder ajudar quem precisa, um pouco teimosa, perfecionista, gosta de viver um dia de cada vez e de tirar o máximo partido das vivências ocorridas, aprendendo com os erros e mantendo as coisas boas, para poder crescer como pessoa e como mulher”.
Para Rute, “nos dias de hoje, qualquer cargo/profissão pode ser bem executado, quer seja por um homem ou mulher”, porque o “bom desempenho vai da dedicação e do desempenho de qualquer um”. “Cada vez mais as mulheres têm um papel mais importante na sociedade, porque, para além dos seus ‘trabalhos familiares’, estão profissionalmente mais ativas, tendo empregos que eram predominantemente atribuídos aos homens e assumindo cargos de relevo e com poder decisivo na sociedade”, destacou.
Para Rute, “as mulheres portuguesas devem continuar a manter o equilíbrio entre a vida familiar e profissional e que, cada vez mais, se vejam em cargos/profissões de destaque”, porque “conseguem bem desempenhar qualquer função, cargo ou profissão”.

Entrevista Completa
JA: Nota biográfica
RN:
Natural da Covilhã, residente em Santo Tirso desde 2001, licenciada em Engenharia de Produção e Gestão Industrial na UBI, profissionalmente trabalho no INEM como Técnica de Emergência Pré-Hospitalar, sou bombeira de 2ª estando nesta altura a desempenhar funções de 2ª Comandante dos Bombeiros Voluntários de Santo Tirso.

JA: Alguma vez se sentiu prejudicada no exercício das suas funções por ser mulher?
RN:
Felizmente no exercício das minhas funções, nunca me senti prejudicada por ser mulher. Só tive uma situação em que fui prejudicada por ser mulher, que foi quando acabei o meu curso e procurava emprego, fui a uma entrevista de trabalho para a área de produção numa empresa, que por ser mulher e por poder vir a ter uma vida familiar não me foi dado a possibilidade de poder trabalhar lá.

JA: Foi difícil chegar onde conseguiu chegar a nível profissional?
RN: Posso dizer que tudo o que sou e tenho profissionalmente tive de o conquistar e lutar para ter o que tenho hoje. Tirei um curso, trabalhei algum tempo na área da minha licenciatura, quando fiquei desempregada não baixei os braços e procurei noutras áreas, passei pela área comercial, até que descobri a área da saúde do pré-hospitalar e dos bombeiros e tive de estudar muito e continuo a estudar, para desempenhar sempre e cada vez melhor as minhas funções a nível profissional.

JA: Considera que há cargos/profissões que são mais bem executadas por mulheres/homens?
RN: Penso que nos dias de hoje qualquer cargo/profissão pode ser bem executado, quer seja por um homem ou mulher, isto porque esse bom desempenho vai da dedicação e do desempenho de qualquer um. Desde que um homem ou mulher, estejam a desempenhar funções de que gostem, estas serão bem executadas, e fico contente porque cada vez mais vemos mulheres em empregos, que eram maioritariamente eram executados por homens e também as mulheres estão cada vez mais a integrar cargos de relevância/importância na nossa sociedade.

JA: Alguma vez sentiu pressão para conseguir dar a mesma atenção à vida profissional e à vida familiar?
RN: Posso dizer que já senti esta pressão. Tem de existir um equilíbrio entre a vida profissional e familiar, por vezes não é fácil manter esse equilíbrio e quando isso acontece é o lado familiar que sai prejudicado. Para isso é importante existir um bom apoio familiar para se conseguir ultrapassar as adversidades.

JA: Como se descreve enquanto mulher?
RN: Sou uma mulher sincera, amiga, lutadora, apaixonada pelo que faço, gosto de poder ajudar quem precisa, um pouco teimosa, perfeccionista e sou uma mulher que gosta de viver um dia de cada vez e tirar o máximo de partido das vivenças ocorridas durante esse dia aprendendo com os erros, mantendo as coisas boas, para poder crescer como pessoa, como mulher.

JA: O que sente por ser uma mulher de relevo no seu concelho?
RN: Me sinto orgulhosa e feliz por ser no conselho, a primeira mulher a tomar posse como elemento de comando nos Bombeiros. Não deixando de ser quem sou, a Rute, mas que ao mesmo tempo possa ser um exemplo para que outras mulheres assumam, elas também cargos ou profissões, até aqui atribuídas a homens.

JA: Como vê o contributo que dá à sociedade?
RN: Sei que tenho mais algumas responsabilidades, não só para com o meu Corpo de Bombeiros, mas também com o conselho de Santo Tirso, e tudo farei para que o meu C.B. evolua e o conselho de Santo Tirso se sinta seguro, para quando alguém precisar dos Bombeiros Voluntários de Santo Tirso, estes estejam sempre prontos para socorrer com profissionais á altura, nas diferentes áreas do socorro (pré-hospitalar, florestal, urbano…).

JA: O que acha do Dia Internacional da Mulher? Como vive esta data?
RN: Para mim o Dia Internacional da Mulher, não é só no dia 8 de Março, mas sim nos 365 dias do ano, como tal normalmente o passo a trabalhar e este ano não vai ser diferente, estarei a trabalhar, em prol de quem mais precisa.

JA: Como vê o papel da mulher na sociedade atual?
RN: Cada vez mais as mulheres têm um papel mais importante na sociedade, porque para além dos seus “trabalhos familiares” estão profissionalmente mais ativas, tendo empregos que eram predominantemente atribuídos aos homens e assumem cargos de relevo e com poder decisivo na sociedade.

JA: O que falta às mulheres portuguesas?
RN: Diria que as mulheres portuguesas, devem continuar a manter o equilíbrio entre a vida familiar e profissional, e que cada vez mais se vejam mulheres em cargos/profissões de destaque. Porque uma mulher consegue e bem desempenhar qualquer função, cargo ou profissão.

 

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