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Elisa Ferreira levou mensagem de “confiança” aos empresários

Para celebrar o 109.º aniversário, a Associação Comercial e Industrial de Santo Tirso (ACIST) promoveu um pequeno-almoço com empresários, convidando a comissária europeia responsável pela pasta da Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, para falar sobre o futuro económico da Europa.

Uma “mensagem de confiança” e um apelo à participação podem resumir as cerca de duas horas de conversa entre a comissária europeia Elisa Ferreira e empresários de Santo Tirso, num encontro promovido no âmbito do 109.º aniversário da Associação Comercial e Industrial daquele concelho.
Com fortes ligações a Santo Tirso, não é de estranhar que a comissária conheça, a fundo, a realidade socioeconómica daquele território. Por isso, quis levar “confiança” aos empresários, instalados numa área que, por ter uma “tradição industrial fortíssima e com uma localização excecional – perto de muitos polos universitários e de grandes infraestruturas (aeroporto do Porto e o porto de Leixões) – tem “todas as condições para ser capaz de reter gente nova qualificada e utilizar os apoios estruturais da União Europeia num sentido de aumento de valor”. “Valor que permita pagar salários de bom nível e gerar condições para que jovens qualificados e indústrias com tecnologia de ponta se continuem a instalar”, sugeriu.
Perante as preocupações reveladas por alguns empresários, nomeadamente do setor têxtil, relacionadas com a competição asiática que, fruto das diretivas europeias relativas à sustentabilidade ambiental, se pode tornar desleal, Elisa Ferreira respondeu que a questão de fundo está na necessidade de essas mesmas inquietações chegarem a Bruxelas.
“Em Portugal, nós falamos muito uns com os outros, discutimos muito, mas não utilizamos os canais normais que estão abertos, exatamente, para fazer valer os nossos interesses legítimos. Comentávamos, há pouco, que lobby é mal visto e a cunha não, mas o lobby é a defesa do que nós queremos e do que nos interessa e isto é a maneira como a Europa funciona”, argumentou.
A comissária quis relevar esse “alerta” para que os industriais se façam ouvir, utilizando, por exemplo, “a grande influência” dos deputados portugueses eleitos para o Parlamento Europeu. “É importante usar-se esses canais para se dizer o que é que se quer e o que é que se pretende, quais são os riscos das decisões que estão a ser tomadas e não nos deixarmos ficar apáticos, a comentar uns com os outros e depois quando as coisas já estão decididas virmos comentar que foi mal decidido. É evidente que às vezes ganha-se, às vezes perde-se, mas é esta a construção da Europa”, continuou.
Outro dos temas aflorados na conversa foi a crise energética e os fundos estruturais que poderão chegar para a resolver. A comissária afirma perentoriamente que, “decididamente”, a solução passa por “poupar energia”. “Os fundos destinam-se a apoiar projetos de inovação, que acrescentem valor, e a permitir que as empresas revejam os processos produtivos no sentido de pouparem energia, através da substituição de fontes poluentes, que não são o futuro, por novas fontes energéticas”.
Perante as dificuldades já sentidas nesta questão do preço da eletricidade e gás, Hugo Assoreira, presidente da ACIST, fez saber que “algumas empresas já tiveram de abrandar a produção”, antevendo que há quem terá de “encerrar por não conseguir suportar os custos da energia”.
Hugo Assoreira considera que as principais dificuldade se começarão a sentir “no segundo semestre de 2023”, mantendo-se em 2024. E apesar de considerar que o tecido industrial tirsense está preparado para suportar os efeitos de uma recessão, sublinhou que “a ACIST está cá exatamente para apoiar quem tiver mais dificuldades”. “Tem de haver solidariedade entre os empresários”, concluiu.
Felicitando Hugo Assoreira pela pertinência da iniciativa, o presidente da Câmara Municipal Alberto Costa reiterou a disponibilidade da Câmara para apoiar os empresários do concelho. “Temos vários desafios pela frente, tivemos uma pandemia e logo de seguida uma guerra”, lembrou. “Face a este cenário de incerteza, só conseguiremos vencer as adversidades se estivermos todos juntos. É também por isso que a Câmara está ao lado da ACIST no apoio aos empresários do concelho”, assegurou.
O autarca aproveitou ainda para sublinhar que “perante os desafios” que se avizinham, há que encontrar “oportunidades de crescer”. “Os fundos comunitários servem para potenciarmos, mas não pode ser condição única. Temos de deixar a ideia peregrina que só podemos fazer coisas com fundos comunitários, os projetos têm de se desenvolver por si”, frisou.

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