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Covid-19: Estado de emergência desagrada a muitos

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, classificou este domingo as medidas aprovadas pelo Governo no sábado como “desproporcionais, incongruentes e desadequadas”, defendendo que o caminho deveria ser o reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Num comício em Castanheira do Ribatejo (no concelho de Vila Franca de Xira), Jerónimo de Sousa referiu-se às medidas aprovadas no Conselho de Ministros extraordinário e que concretizam o decreto do estado de emergência que vigorará entre segunda-feira e dia 23 de novembro: “As medidas adotadas pelo Governo na sequência da declaração do Estado de Emergência, aprovado esta sexta-feira na Assembleia da República, com o voto contra do PCP, afiguram-se não só desproporcionais, incongruentes e desadequadas como sobretudo não têm correspondência com as exigências colocadas no plano da saúde pública e da capacitação do SNS para enfrentar a epidemia de Covid-19, e para criar condições de proteção sanitária para que a vida nacional prossiga”, defendeu.

Jerónimo de Sousa criticou que, a pretexto da subida de casos de covid-19, aumentem “as vozes dos que reclamam mais restrições às liberdades, mais cortes de direitos e mesmo medidas mais musculadas, trocando a pedagogia pela via repressiva no combate à pandemia”. “Aquilo de que o País necessita é de medidas que estimulem a proteção individual, promovam a pedagogia da proteção e assegurem condições de segurança sanitária para que a vida nacional possa prosseguir nas suas múltiplas dimensões”, defendeu.

Também o porta-voz do PAN, André Silva, manifestou-se, neste domingo, preocupado com o “forte isolamento” imposto pelas medidas de recolher obrigatório aprovadas no sábado, que considerou exageradas. Numa reação em vídeo enviada às redações, André Silva ressalva que ainda não conhece o decreto que detalha as medidas aprovadas na reunião do Conselho de Ministros extraordinário de sábado, que concretizam o estado de emergência a vigorar entre segunda-feira e dia 23 de novembro.

O deputado do PAN, que se absteve na votação deste estado de emergência, afirmou que o partido tem consciência do “grave contexto epidemiológico” e é favorável a “algumas restrições à liberdade de circulação para evitar aglomerações e focos de contágio descontrolados”.

A limitação de circulação ao fim de semana foi classificada como “mais um prego no caixão” do sector da cultura, que já está “numa situação dramática”, segundo Rui Galveias, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, Audiovisual e Músicos (Cena-STE), citado pela agência Lusa. “Olhamos para tudo isto com muita preocupação. Entendemos a necessidade de cuidar das pessoas, entendemos que os números são dramáticos, mas não conseguimos compreender estados de emergência, quando as pessoas têm aderido às regras”, sublinhou.

Também o presidente da Associação Portuguesa de Centros Comerciais, Sampaio Matos, reagiu este domingo às novas medidas restritivas anunciadas pelo Governo, afirmando que o novo estado de emergência vai obrigar muitos restaurantes e lojas a fechar portas. E classificando as medidas de recolher obrigatório como um “grande golpe” para o sector e a economia, afirmando mesmo que “”se isto se prolongar, alguns centros comerciais podem vir a fechar”.

Entretanto, a Fenprof mostrou-se desiludida com as medidas do Governo para as escolas nesta fase de estado de emergência e criticou a falta de diálogo sobre as tarefas a desempenhar pelos professores sem componente letiva.

Em comunicado, a Federação Nacional dos Professores refere que se esperava “muito mais do Governo, tendo em conta que o número de novos infetados no país sobe de forma acelerada” e que se reflete no número de escolas que têm ou já tiveram casos de Covid-19, que, segundo um levantamento feito pela Fenprof são mais de 600.

Entre as medidas anunciadas no sábado pelo primeiro-ministro, para vigorarem nesta primeira fase do estado de emergência, consta a possibilidade de medição da temperatura à entrada das escolas, a realização de testes e, ainda, o envolvimento de professores sem componente letiva no rastreio de casos, estando já sinalizados 128.

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