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Câmaras de Santo Tirso e Famalicão “preocupadas” com bactérias detectadas no Ave

Câmaras de Santo Tirso e Famalicão “preocupadas” com bactérias detectadas no Ave

As câmaras de Santo Tirso e de Vila Nova de Famalicão reagiram “com preocupação” à revelação do cientista Paulo Martins Costa sobre a existência de quatro estirpes de bactérias resistentes na água do rio Ave.

Em declarações à agência Lusa o presidente da câmara de Santo Tirso, Joaquim Couto, afirmou que a posição desta autarquia do distrito do Porto é “de grande preocupação para a saúde pública”.

Joaquim Couto, também enquanto presidente da Associação de Municípios do Vale do Ave (Amave) justificou a “preocupação” porque “o estudo aponta para a existência de bactérias resistentes, causada por fatores que ainda se desconhecem, mas que poderão estar relacionados com efluentes hospitalares e com poluição química do rio Ave”.

“As estações de tratamento que compõe o Sistema de Despoluição do Ave são das poucas do país com capacidade para o tratamento químico e bacteriológico”, referiu o autarca, acrescentando que fará seguir para a Águas do Norte, para a entidade gestora do sistema de despoluição do rio Ave e para o Ministério do Ambiente, um ofício sobre este tema.

Ainda de acordo com a câmara de Santo Tirso, “por informação da Águas do Norte, a empresa já está a desenvolver um processo com vista a contra-análises que confirmem ou desmintam o estudo realizado”.

Também a câmara de Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga, apontou estar “naturalmente preocupada” com esta situação que diz ter tido conhecimento “através das notícias”.

Fonte camarária apontou à Lusa que está a ser desenvolvido um conjunto de diligências junto das entidades competentes para obter mais informação, nomeadamente junto da Agência Portuguesa do Ambiente.

Na quinta-feira, em declarações à Lusa, via telefónica, o cientista Paulo Martins Costa, um dos membros da investigação desenvolvida em parceria entre o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e a Universidade de Friburgo na Suíça, afirmou que os genes responsáveis pelas resistências das bactérias descobertas são idênticos aos identificados em bactérias isoladas em hospitais, como, por exemplo, a ‘Klebsiella pneumoniae’, no Hospital de Gaia.

Quatro estirpes de bactérias foram isoladas na água do rio Ave, todas ‘Escherichia coli’, com grande capacidade de resistência aos antibióticos, incluindo aqueles que se usam exclusivamente nos hospitais para tratamento de infeções graves (carbapenemos), avisou o cientista.

A agência Lusa contactou outras autarquias pelas quais passa o curso de água do rio Ave, mas até ao momento não obteve mais reações.

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