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“Brexit” impediu “primeira oportunidade” de exportação do Licor de Singeverga

“Brexit” impediu “primeira oportunidade” de exportação do Licor de Singeverga

O “Brexit” ainda não se consumou, mas já teve implicações no processo de exportação do licor de Singeverga. Quem as documenta é o padre Albino Nogueira, um dos 23 monges do mosteiro beneditino situado no concelho de Santo Tirso e o responsável pela produção do único licor português exclusivamente monástico.

“Em 2017, fomos abordados por um empresário das redondezas, mas que está radicado há muitos anos em Londres, onde negoceia vinhos e licores, para um eventual negócio com o nosso licor. Ele veio cá, viu como produzimos o licor mas, depois, temeroso com os impostos que poderiam vir com o Brexit, acabou por abandonar a ideia e o negócio não se concretizou”, contou em declarações à Lusa.
O referendo, que em 2016 ditou a saída do Reino Unido da União Europeia, fez com que caísse por terra a primeira “boa oportunidade” de exportação.
A internacionalização do produto é, de resto, a grande aposta atual do Mosteiro. No mercado nacional, o custo das garrafas oscila entre os sete e os 21 euros, sendo que, anualmente, são produzidas cerca de 9500: sete mil de meio litro, 1500 de 0,70 litros e mil miniaturas. Albino Nogueira atestou que a produção “deu sempre lucro”.
Apreciado pela tonalidade, textura e, claro está, pelo sabor, potenciado pelo sem número de especiarias utilizadas, o licor de Singeverga começou a ser produzido em 1945, com o apoio de um engenheiro químico e, inicialmente, a diminuta quantidade resultante servia de “oferta” aos benfeitores do Mosteiro. Mais tarde, o frei José Laranjeiro aventurou-se pela venda e distribuição do licor que, hoje em dia, é usual ver-se nas prateleiras dos super e hipermercados nacionais.
O monge padre Albino Nogueira é o atual responsável pelo fabrico do licor e conta com a ajuda de um funcionário, Francisco Ferreira, de 19 anos, que começou a trabalhar em maio de 2017, após desistência do curso de Optometria e Ciências da Visão, que frequentava na Universidade do Minho.
Atualmente estudante do curso de Tecnologia Mecânica, no concelho da Trofa, o jovem pode abraçar outros projetos futuros, mas confessou que “por gostar do que faz”, quer poder conciliá-los com a produção do licor.
Baunilha, canela, noz-moscada, açafrão e cravinho são algumas das especiarias utilizadas para fazer o licor, às quais se junta o cálamo e a raiz angélica. Há outros ingredientes que continuam “no segredo dos deuses”. O fabrico é dividido por várias fases, começando pela colocação das especiarias e ervas no álcool etílico. Mais tarde, junta-se água e deixa-se macerar por quatro dias. Segue-se a destilação da água e do álcool para que perca graduação (desce de 95 para 30 por cento) e a junção do xarope, feito de açúcar, água, ácido cítrico e chá preto, e o caramelo, que vai dar tonalidade ao líquido.
Sobre o processo artesanal, explicou Francisco Ferreira, dura “mais de um ano”, período em que o licor “permanece numa pipa de carvalho”, antes de ser engarrafado.

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